Poucas vezes me senti tão atraída
por alguém que não me despertasse um tesão animal. Mas ele, apesar de ser tão diferente, tem a sensibilidade de conversar com plantas, bichos
e uma docilidade sem tamanho. É tudo muito simples: me olha com admiração e se
preocupa se estou confortável onde quer que estejamos.
Não sou insegura, mas ele tem um abraço que me blinda de qualquer medo. Porque
guarda nos olhos essa tranquilidade que carrega na alma. Ele ri de qualquer
excentricidade minha, topa qualquer cena em público e caímos na
gargalhada juntos, mesmo que tão raramente. Ele tem o charme e a beleza
que nunca pensei notar. Mas que encantam. E o melhor: não sabe disto. Nunca se vangloria por
nada. Ele me responde prontamente que me sente. Eu o abraço, porque não sei
agradecer coisas tão grandiosas. E nunca analisamos se o que sentimos é encantamento,
nunca tentamos dar nome aos nossos sentimentos. A gente se quer muito bem, isto
é explícito. E a vontade de estar junto não acompanha qualquer dependência ou
obsessão, nossa individualidade é respeitada e tem vida própria. Mas a gente
gosta de ter qualquer parte do corpo sempre encostada na pele do outro. A
gente vive se colorindo de fantasias só para poetizar nossos instantes. E
é com ele que eu deveria ter vontade de colocar uma pequena mochila nas costas e
desbravar todas as paisagens internas, externas, e desaparecer dentro delas.
Ah, se não fosse essa saudade, esse meu jeito torto, minhas vontades loucas e aquela voz que ainda mora em mim.
'Todo mundo é uma soma de pequenos detalhes'
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