sexta-feira, 12 de abril de 2013

:.Simples:.

 Você trocou um papel de coadjuvante na guerra por um papel principal numa cela? Aqui.

Poucas vezes me senti tão atraída por alguém que não me despertasse um tesão animal. Mas ele, apesar de ser tão diferente, tem a sensibilidade de conversar com plantas, bichos e uma docilidade sem tamanho. É tudo muito simples: me olha com admiração e se preocupa se estou confortável onde quer que estejamos. Não sou insegura, mas ele tem um abraço que me blinda de qualquer medo. Porque guarda nos olhos essa tranquilidade que carrega na alma. Ele ri de qualquer excentricidade minha, topa qualquer cena em público e caímos na gargalhada juntos, mesmo que tão raramente. Ele tem o charme e a beleza que nunca pensei notar. Mas que encantam. E o melhor: não sabe disto. Nunca se vangloria por nada.  Ele me responde prontamente que me sente. Eu o abraço, porque não sei agradecer coisas tão grandiosas. E nunca analisamos se o que sentimos é encantamento, nunca tentamos dar nome aos nossos sentimentos. A gente se quer muito bem, isto é explícito. E a vontade de estar junto não acompanha qualquer dependência ou obsessão, nossa individualidade é respeitada e tem vida própria. Mas a gente gosta de ter qualquer parte do corpo sempre encostada na pele do outro. A gente vive se colorindo de fantasias só para poetizar nossos instantes. E é com ele que eu deveria ter vontade de colocar uma pequena mochila nas costas e desbravar todas as paisagens internas, externas, e desaparecer dentro delas.
Ah, se não fosse essa saudade, esse meu jeito torto, minhas vontades loucas e aquela voz que ainda mora em mim.

'Todo mundo é uma soma de pequenos detalhes'

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