Alguém como eu. Aqui.
Todo dia eu penso: podia sentir menos e menos e
menos. Mas não adianta, tudo me atinge, abala, afeta, arrebata,
maltrata, alegra, violenta de uma forma absurda e intensa. Nasci pra ser
intensa e dramática. Nunca sei direito se a vida me fez assim ou as
situações fizeram com que eu me tornasse assim. Não sei, não sei. A
última e única coisa que lembro é de sentir. Eu sinto o sentir. Sei que
parece papo de louco, mas é verdade, é real. Eu sinto demais. A realidade
me consome. Mas me consome e-xa-ge-ra-da-men-te. A vida maltrata quem
sente demais. Quem sente demais acaba sofrendo mais que a maioria das
pessoas. Tudo importa, tudo é exagerado, tudo é sentido de corpo e alma.
Alma, principalmente. Eu não sou legal, não mesmo. Acho que sempre tenho
razão e quando minhas previsões dão certo, olho com a cara mais
abominável do mundo, dou um sorriso irônico e falo o clássico
eu-te-avisei. É que, em geral, eu tenho razão. Essa é a primeira e mais
importante coisa que você precisa aprender a meu respeito. Não sei
receber elogios, fico sem saber o que fazer, me atrapalho e acabo
trocando de assunto – quando não troco as pernas e tropeço em algum
canto de mim. Fui abençoada com um coração meiguíssimo e, em contrapartida, com um pavio bem, mas bem curto mesmo. Sorrio para disfarçar desconfortos. Se eu não gosto de
você é bem provável que você tenha medo do meu olhar. Sempre fui sentimental e nunca levei adiante relações em que não
estivesse emocionalmente envolvida, e por mais que eu pareça ser durona,
é apenas fachada. Só eu sei o quanto já sonhei em ser uma princesa
resgatada da torre de um castelo. Sou boa no que faço. Gosto do meu tipo. Sou uma
bonita estranha, ou uma estranha feia, ainda não sei definir muito bem. Tenho um aspecto diferente, que
não comove, nem passa despercebido. E dizem que sou inteligente. E a
burrice do mundo é tanta que deixo a modéstia de lado e concordo. E eu posso
simplesmente não gostar de você de graça. Mas se eu gostar de você, aviso de
antemão que você é uma pessoa de sorte. Eu me entrego. Quem vive comigo
sabe. Quem convive comigo sente. Eu amo poucos. Mas esses poucos, pode
apostar, amo muito.
'Pareço chata. E sou.'
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