O que eu sentia. O que eu sabia. De saco cheio, eu continuo sozinha. Você poderia estar lá, porque eu sou aquela que espera por Você. Aqui.
Admito
que doeu, que me sufocou. Admito que eu não sabia pra onde correr.
Admito que me consumiu, que me corroeu, que me despedaçou. Mas também
admito me fez olhar pra frente e entender que tudo nessa, e em qualquer outra vida, tem uma
razão, e que se você se machuca muito, começa a não doer mais tanto. A verdade é que se não fosse de verdade não haveria planos, nem vontades, nem ciúmes, nem
coração magoado. Não haveria desejo, nem o medo da
solidão. Não haveria saudade, nem o meu pensamento em você. Se não fosse de verdade, eu já teria desistido de nós. Agora não sinto raiva, não sinto nada. Sinto saudade, de vez em quando. Quando penso que poderia ter sido diferente. E quando eu acho que estou me acostumando, que estou te esquecendo, você ressurge de forma inesperada ocupando todos os espaços e me invade. De
repente ouvi teu nome. E quase que imediatamente te procurei a minha
volta. Não te encontrei, mas me dei conta de que eu estava sorrindo, entende? Ando
com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os
carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné,
abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero
música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber.
Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo
são sempre vírgulas, aspas, reticências. Eu vou gostando, eu vou
cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu
vou relevando, eu vou… e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar
páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o
pouquinho que os outros tem para me dar. Somos
inocentes em pensar que sentimentos são coisas passíveis de serem
controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem
licença. Invadem, machucam, alegram. Ensinam, entende? Eu me
sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma
coisa. Alguma segurança. Invento estorinhas para mim mesma, o tempo
todo. Me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinha não me
larga. A verdade é que ainda não quero me prender a nada, a nenhum lugar, a ninguém. Tantos
amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas
pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho um mundo pela frente. E olhe pra
ele. Olhe o mundo! É tão grande diante de tudo o que sinto. Sofrer dói.
Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Mas agora,
com sua licença, não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não
se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama. Só que vez ou outra vou fazer um carinho nesse minha mania de fechar os olhos antes de dormir e te desejar boa noite em pensamento, dorme bem, sonha comigo, te quero muito e bem. E apesar de me encontrar nesse amontoado de Caios e Caus, vou falando de você e vou seguindo. Acho que gosto dessa saudade. Na verdade estou ótima. E vou ficar melhor ainda: that’s is my revenge against the world, entende? E
existem aquelas pessoas que por mais distantes que estejam, ainda
continuam perto. Aquelas que, passe o tempo que passar, serão sempre
lembradas por algo que fizeram, falaram, mostraram, pelo que nos fizeram
sentir. É isso… As pessoas são lembradas pelos sentimentos que
despertaram em nós… E quanto maior o sentimento, maior se torna a
pessoa.
'É que não é qualquer pessoa. É você.'
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