Um Tesão e Ponto. Aqui.
Eu tropeço desajeitada o tempo todo. Caio de amores
pra lá e pra cá, mas levanto rápido, confiro os arranhões e o que der
pra cobrir com o casaco eu cubro. Saio andando no meio da multidão como
se nada tivesse acontecido. E quando perguntam como foi o meu dia, eu digo que foi bom. Bom é uma boa resposta pra mim. Sabe, uma mulher tem que ter algo de fera. Algo a ver com
caninos expostos e feições tranquilas que ameacem. Tem que ter essa
fantasia perigosa entre uma mordida e outra. Que é para sentir as
presas – e fazer o mundo se sentir preso pelos olhos. Que é pro mundo suar junto e
fugir junto quando a coisa ficar feia pra gente. Que é pra fazer
entender que o descontrole feminino causa arrepios, mas a malícia da
tranquilidade é mais prejudicial ainda. Que é pra terem medo de nos perder
de luz apagada. Uma mulher tem que ter algo de exibicionista a
olho nu, entende? A chave da questão é o meu egoísmo. O meu egoismo nisso tudo é revelar só um pedaço do que sou,
só a parte boa, a mocinha da história. Tenho dentro de mim um elenco de
coadjuvantes que não deixo que brilhem, que não dão autógrafos nem saem
nas capas de revista. Egoísta. Poupando o mundo do meu lado sórdido,
que costuma ser o mais interessante. Eu sei, eu sei, todos esses pedaços me tornam inteira. E o meu inteiro costuma ser somente aos raros e fortes. Pros demais, eu dou o ombro e tchau. Porque lá no fundo, eu sinto um orgulho doido quando me olho por dentro. É que eu acho lindo e aplaudo de pé quem não tem medo de ser o que realmente é.
'Ela é um poço de qualidades e defeitos. E cada jeito dela é uma emoção.'
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