terça-feira, 25 de junho de 2013

:.Um Motivo:.

 Me dê apenas um motivo. Só um pouquinho já basta. Aqui.

Um quase silêncio, o dia nublado, reflexo dos meus olhos em vidros embaçados, repentina clareza. Vejo de ambos os lados, somos duas pessoas sentindo tudo errado. Acho que todo sentimento deveria ser reciproco, até mesmo essa saudade. Esse meu olhar triste já não me muda mais, apenas me revela. Pois por fora, hoje, havia chuva e um pouco de frio. Essa chuva e esse frio parece que empurram a gente mais para dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas. Hoje eu estava assim: mais lenta, mais verdadeira, mais bonita até. Hoje eu diria qualquer coisa se você me procurasse. Escondo de mim e do mundo, mas te encontrar virou apenas uma questão de fechar os olhos. Eu preciso apenas que você me diga o que deixou pra depois. Que me explique o que, de alguma maneira, anda cada vez mais claro. Mas eu preciso, sabe? Eu preciso que você se importe. Tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? E sigo assim. Mas seja como for, continuo gostando muito de você, da mesma forma, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, histórias que conto às vezes, saudade. E se é verdade que o tempo não volta, também deveria ser verdade que algumas almas não se perdem. Eu não entendo porque teve que ser assim. Porque você fez ser assim. E dói. E não é pouco. Você me fez acreditar que eu podia me jogar no seu abraço sem medo. Talvez fosse por isso que eu gostava tanto daqueles abraços. Os apertados. Porque era ali. Era ali que eu encontrava tudo o que havia de mais bonito. Agora tenho medo de já ter perdido muito tempo. Tenho medo que seja cada vez mais difícil. Tenho medo de endurecer, de me fechar, de me prender dentro de uma solidão escudo. Se você me encontrar por ai, provavelmente eu estarei sorrindo. Porque depois de tanto tempo, eu tenho um post it na tela do meu computador escrito: 'Para seu próprio bem guarde este recado: Alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa e em segredo.' Há tantos sentimentos confusos aqui. Eu quero tão pouco, sabe. É tão pouquinho que me arrasto, quase que implorando por um sinal que eu sei que não vem. Eu só preciso de um motivo. Porque depois de tanta coisa linda que você dividiu comigo, uma razão seria a mais verdadeira. Isso me soa tão (in)justo. E diante desse vazio, saiba que me lembro de você. Sem rancor, sem peso, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. Nunca mais o vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. Não havia mesmo o que dizer. Ou havia? É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar - e principalmente a fingir. Fingir que encontra. Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo. E isso é tão mais triste quanto todo esse vazio aqui. Assim. 
  
''Se cuida'' - ele disse. E eu ouvi como se fosse um “te amo”.

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