Eu desisto.
Agora eu já sei de tudo. Sei dos seus jogos e reconheço que fiz papel de boba. Cai direitinho no seu teatro já manjado, com falas e atitudes já pré determinadas. Quanta decepção. Me custa acreditar que você me incluiu nessa sua brincadeira enquanto eu me desarmava pra você. Eu realmente não sei explicar como eu me sinto por dentro. Guardei você aqui dentro, aonde quase ninguém é capaz de chegar e aonde poucos permanecem. Nunca contei sobre nós. As pessoas não entenderiam. Alguns diriam
que deveríamos ficar juntos. Outros diriam que nunca deveríamos ter nos aproximado. Mal sabem eles que apesar de nos gostarmos, nunca fomos
namorados. Mas, de alguma maneira, pertencíamos um ao outro. Eu disse que as pessoas não
entenderiam. Eu sei. Mas eu me lembro. Lembro do primeiro 'Oi', de quando nos olhamos pela
primeira vez, de como meu coração quase saiu pela boca quando ouvi a sua risada. Eu me lembro. Lembro também da nossa última conversa e da vontade que estava de nunca te deixar partir. Você mereceu cada texto, cada frase, cada verso, cada música que
dediquei a ti. Mereceu cada sorriso, cada abraço, cada beijo. Mereceu
cada dia, cada semana, cada segundo que dividi contigo. E hoje você não
merece sequer que eu lembre de você. Caso encontre o rio da felicidade, afogue-se. Eu não sei nem o que dizer. É muito triste. Você disse que tudo ficaria bem, lembra? Como você pôde ser tão... O pior é que a sua ausência só confirma o que eu custo a acreditar. Mas eu desisto. Eu me acabei aqui.
(en)Fim.
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