Era por isso que eu adorava ficar com você. Nós podíamos fazer coisas
simples, como jogar estrelas-do-mar de volta na água, deitar numa rede
e conversar. Mas, mesmo naquela época, eu tinha noção da minha sorte.
Porque você era o primeiro cara que não tentava me impressionar o tempo
todo. Você se aceitava, mas, além disso, me aceitava do jeito que eu
era. Por isso eu não consigo, Homem. Não consigo ficar brava contigo, não consigo
virar as costas para você e partir. Não consigo não te esperar de braços abertos. Eu não consigo não depender de você aqui. É que…
Sei lá. Você tem um efeito enorme sobre mim. Portanto, mesmo que você cometa a vileza de me deixar sem resposta, de
repente a gente se encontra numa esquina, numa praia, num outro planeta,
no meio duma festa ou duma fossa. No meio dum encontro a gente se
encontra, tenho certeza. Bom, deixa pra lá. Agora eu não conseguirei dizer mais nada, não tenho culpa. Não me entenda mal e não me entenda bem. Logo passa. É só essa vontade
quase louca de estender o meu braço para alcançar você. É só uma vontade em excesso
de estar perto, só perto. Vontade, carinho, saudade, tesão, compaixão,
amor. Tudo junto e apertado aqui dentro.
'Ah, vamos lá, nem é tão complicado assim. Na maioria das vezes é você quem coloca peso onde tudo poderia ser tão leve. Eu sei.'

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