E essa abstinência uma hora vai passar. Aqui.
Ultimamente ando pedindo que a vida me ensine a gostar mais, muito mais. Mas de um jeito mais leve. Impossível enquadrar o que lateja, o que arde,
o que grita dentro de nós. Somos maduros e ao mesmo tempo infantis. Por
trás do nosso autocontrole há um desespero infernal. Todo o resto é o
que nos assombra: as escolhas não feitas, os beijos não dados, as
decisões não tomadas, os mandamentos a que não obedecemos, ou a que
obedecemos bem demais — a troco de que costumo ser tão boazinha? Costumo brincar dizendo que sou a pessoa mais
impontual do mundo: chego sempre 10 minutos antes. Parece ansiedade, mas
é apenas previdência. Entre mim e o lugar do encontro pode existir uma
coisa chamada imprevisto, e eu não suporto deixar as pessoas esperando
por mim. Prefiro eu esperar por elas. E como espero. E como eu me perco esperando. E eu sei que um dia a gente acorda, os livros nos acordam, um anjo nos acorda, e
somos avisados: não adianta mais olhar para trás. É ir em frente ou
nada. O Tempo voa, e quando vê, já foi. E aí você percebe que não sabe mais dizer se
está bem ou mal, diz apenas que as coisas 'estão indo'. Porque é isso
que as coisas fazem, elas vão. Elas precisam ir. Estou quase desistindo. Não aguento mais essa espera. Esse vazio. Essa falta de noticia. A insegurança de uma volta. De não saber o que pensar. Eu sou dramática sim. E tão sincera quanto. Eu sou dessa gente que se dói inteira porque não vive só na superficialidade das coisas. Só preciso aprender a não dar tanta importância ao que não importa. E reconstruir aqueles muros que me cercavam de todas essas sensações que não sabem se ficam.
'Eu estava aqui o tempo todo só você não viu.'
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