sábado, 6 de julho de 2013

:.Impontual:.

E essa abstinência uma hora vai passar.  Aqui.

Ultimamente ando pedindo que a vida me ensine a gostar mais, muito mais. Mas de um jeito mais leve. Impossível enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós. Somos maduros e ao mesmo tempo infantis. Por trás do nosso autocontrole há um desespero infernal. Todo o resto é o que nos assombra: as escolhas não feitas, os beijos não dados, as decisões não tomadas, os mandamentos a que não obedecemos, ou a que obedecemos bem demais — a troco de que costumo ser tão boazinha? Costumo brincar dizendo que sou a pessoa mais impontual do mundo: chego sempre 10 minutos antes. Parece ansiedade, mas é apenas previdência. Entre mim e o lugar do encontro pode existir uma coisa chamada imprevisto, e eu não suporto deixar as pessoas esperando por mim. Prefiro eu esperar por elas. E como espero. E como eu me perco esperando. E eu sei que um dia a gente acorda, os livros nos acordam, um anjo nos acorda, e somos avisados: não adianta mais olhar para trás. É ir em frente ou nada. O Tempo voa, e quando vê, já foi. E aí você percebe que não sabe mais dizer se está bem ou mal, diz apenas que as coisas 'estão indo'. Porque é isso que as coisas fazem, elas vão. Elas precisam ir. Estou quase desistindo. Não aguento mais essa espera. Esse vazio. Essa falta de noticia. A insegurança de uma volta. De não saber o que pensar. Eu sou dramática sim. E tão sincera quanto. Eu sou dessa gente que se dói inteira porque não vive só na superficialidade das coisas. Só preciso aprender a não dar tanta importância ao que não importa. E reconstruir aqueles muros que me cercavam de todas essas sensações que não sabem se ficam.


'Eu estava aqui o tempo todo só você não viu.'

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